Temos o MCTI de volta

O que esperar do novo Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação e seu ministro

Luciano Queiroz

Ontem o presidente eleito Jair Bolsonaro indicou quem será o seu Ministro de Ciência, Tecnologia e Inovação. O nome indicado é do astronauta brasileiro Marcos Pontes. Seu nome já estava sendo sondado há algum tempo, Marcos Pontes gravou alguns vídeos agradecendo a possibilidade, recentemente se filiou ao PSL e seu nome chegou a ser cogitado como vice na chapa presidencial.

Mas quem é Marcos Pontes? Ele foi o primeiro e único astronauta brasileiro a ir ao espaço. Tenente-Coronel da Aeronáutica, fez sua graduação em engenheiro aeronáutico pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) e mestrado em engenharia de sistemas pela Naval Postgraduate School (California, EUA). Ele foi selecionado para o programa espacial da NASA em 1998, fez parte do grupo responsável pela contribuição brasileira para Estação Espacial Internacional (ISS) e em 2006 fez sua primeira ida ao estação à bordo da nave russa Soyuz TMA-8.

Apresentações feitas, vamos para as análises. Não vou comentar toda a propaganda política relacionada a ida do Marcos Pontes para o espaço, isso está bem explicado em vários textos pela internet. Quero começar analisando o que vai acontecer com o MCTI.

Uma das grandes reivindicações dos cientistas era a volta do MCTI. Sempre fui crítico a sua fusão com o Ministério das Comunicações e defendi o retorno de um ministério independente e forte. Ele voltará a ser o MCTI, mas, ele terá uma função adicional: o ensino superior, anteriormente abrigado no Ministério da Educação (MEC), passará a ser sua responsabilidade.

De cara, incorremos em um erro conceitual, ensino superior, como o nome já diz, é ensino. Ensino faz parte da Educação. Soa óbvio, mas é importante ressaltar isso, Ensino e Pesquisa são duas coisas distintas, por mais que exista uma sobreposição, principalmente na pós-graduação. Adicionar o Ensino Superior a pasta de CT&I indica uma política de desvalorização do ensino e um maior foco na técnica ou na aplicabilidade da nossa ciência. Não podemos esquecer que diversos cursos superiores não são ciências e poderão ser negligenciados. Também poderá acentuar o preconceito existente no meio acadêmico às ciências humanas, reduzindo repasses, bolsas e aprovação de projetos, em uma provável fala do ministro: “por serem menos aplicadas”.

E o que esperar do Marcos Pontes como Ministro? Não tenho muito o que dizer do Marcos Pontes, tirando essa fala em um ato político “Quem tem filho aí? Eu tenho certeza de que a escola que vocês querem pros seus filhos é uma escola que dê alguma coisa de útil para a vida deles, para profissionais lá para frente, para cidadãos produtivos, que não seja cheio de porcaria voltada ou para ideologia ou para alguma coisa com sexo fora da idade. A gente tem casa para isso, a gente tem os pais para ensinar, não precisa desse tipo de coisa na escola”.

Marcos Pontes é um astronauta da NASA, aparentemente fez um bom trabalho por lá, inclusive de gestão. Entretanto, considero muito prejudicial o discurso de indicar ministros baseado unicamente em conhecimento técnico. Na política, só o conhecimento técnico não faz política pública. Um ministro não precisa ser um político carreirista, ele não precisa estar filiado a um partido, mas ele deve possuir habilidades políticas. Do contrário, ele não fará nada. O Marcos Pontes têm essas habilidades?

Parece que sim, considerando algumas articulações que já fez. Se não, será mais uma pessoa que assume uma função pública e deixa o cargo reclamando que os políticos não o deixaram fazer nada.

 

Fontes, mais informações e opiniões:

O que já disseram os cinco homens fortes do presidente Jair Bolsonaro

5minutosNBW – Marcos Pontes em “Os homens do presidente”

Escolhido para ser ministro, astronauta tem os pés no chão e olhar no horizonte – Mensageiro Sideral 

Quem é Marcos Pontes, novo ministro de Ciência e Tecnologia