O que aprendi nas Eleições 2018 – pré-campanha, campanha e o PT

Luciano Queiroz

Na primeira parte dessa série ficou claro que levar uma campanha política ao mesmo tempo de um doutorado, não é fácil. Aceitei o desafio e tentei. Me organizei para fazer dois meses e alguns dias de pré-campanha (de junho até 15 de agosto) e um mês e meio de campanha (16 agosto até 7 de outubro). O lançamento da pré-campanha nas minhas redes sociais aconteceu no dia 28 de maio e presencialmente no dia 11 de junho. Queria fazer esses dois atos antes do início da Copa do Mundo e, se deixasse para depois, já estaria muito próximo da eleição.

O PT não criou nenhum empecilho para efetivação da minha candidatura. Algo que me surpreendeu positivamente e até citei na entrevista que concedi para o Podcast NBW. O que mais ouvi de petistas ao saberem da minha decisão foi, “Parabéns! É muita coragem disputar uma eleição”. Dois amigos me ajudaram muito, indicando com quais pessoas conversar e intermediando diálogos. Tive a oportunidade de conversar com pelo menos seis candidatos a Deputado Federal na intenção de articularmos uma dobrada (dupla de candidatos a Deputado Federal e Estadual onde um ajuda o outro).

Uma dessas dobradas foi o Alexandre Padilha, ex-ministro da Saúde do Governo Dilma e deputado federal eleito. Eu nunca imaginei que teria a oportunidade de conversar pessoalmente com o ministro que, em 2013, li sobre em uma matéria na Revista Piauí entre um ônibus e outro (Padilha no Laboratório). Uma coisa curiosidade: em 2003, quando o Padilha foi convidado para compor o governo Lula, ele estava em Marabá-PA trabalhando e eu, com meus 14 anos, morava em Parauapebas-PA. Ficamos a somente 160 km de distância (o que é perto para o Pará). Tudo bem, isso não quer dizer nada, mas é curioso saber que há 15 anos atrás estivemos próximos e agora nos encontramos pessoalmente.  

O PT me deu abertura para entrar, construir e conhecer pessoas. Não sei como são os outros partidos, mas isso foi algo positivo. Claro, eu sei que os dirigentes e partidos tinham interesse em candidatos dispostos a concorrer, ainda mais candidatos que não tem força política suficiente para pressioná-los por recursos do fundo eleitoral.

Os partidos políticos têm um funcionamento muito complicado. O Marcos Nobre fez uma boa analogia recentemente sobre a dificuldade de acessar os partidos, “seria como escalar um muro de 40 metros de altura e quando chegar no topo, se estatelar do outro lado”. Porquê alguém em sã consciência iria tentar escalar esse muro? Quem quer construir algo novo não vai enfrentar todas essas dificuldades por anos para ter a possibilidade de tentar. Muitos preferem entrar em partidos menores ou fundarem seus próprios partidos, movimentos, etc. Isso também vale para o PT e apesar das dificuldades, vejo vantagens em tentar construir o PT.

Voltando para minha pré-campanha, ela foi boa. O lançamento contou com a presença do Eduardo Suplicy e o Marcio Pochmann, consegui mobilizar um grupo de pessoas que estavam me ajudando quando conseguiam, visitei duas cidades do interior de São Paulo (Lorena e São Carlos) e consegui chamar atenção. No início de junho fui citado em uma matéria intitulada “Vote Com Ciência” escrita pelo jornalista Reinaldo José Lopes na Folha de São Paulo.

Entretanto, nesse mesmo período, algumas obrigações do doutorado falaram mais alto. Não deixei de realizar minhas atividades normais de um pós-graduando. Durante o horário comercial, estava no laboratório, estudando, escrevendo, fazendo experimento ou cursando disciplinas. Nos horários livres estava trabalhando na pré-campanha.

Minha pré-campanha contou com ajuda de alguns amigos mais próximos, como já disse, mas todos faziam isso de forma voluntária e não podiam dedicar uma grande parcela de seu tempo livre. Aí entra um grande fator limitante de fazer uma campanha: você precisa de pessoas te ajudando. Para conseguir isso você tem duas opções, 1) fazer parte de um grupo organizado de pessoas que irão se organizar para fazer a campanha de uma pessoa escolhida ou 2) ter dinheiro para contratar as pessoas. De certa forma, eu não tinha nenhum dos dois.

A maior parte da organização da minha pré-campanha foi feita por mim, criar um site, escrever propostas, produzir conteúdo, cuidar das redes sociais, fazer articulação política, participar de eventos, etc. Se eu quisesse continuar dessa forma, teria que parar o doutorado por um mês e meio, mas, eu não podia fazer isso e decidi retirar minha candidatura. Posso dizer que esse período de pré-campanha foi muito produtivo, apesar da candidatura não ter se consolidado, pude aprender muito.